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Civilização Persa

Introdução

No século VI a.C., no reinado de Ciro, teve início a formação do Império Persa. Por suas façanhas político-militares, Ciro ficou conhecido como " O Grande ". O império por ele fundado durou mais de dois séculos. Foi um dos maiores impérios do Antigo Oriente Médio.

O domínio de todo esse imenso território exigiu a submissão de diferentes povos e culturas. Exigiu, também, a montagem de uma complexa máquina administrativa que incluía altos funcionários, conhecidos como " os olhos e os ouvidos do rei ".

A evolução política

Em meados do II milênio a.C, tribos de origem indo-européia emigraram para a região do planalto do Irã, na Ásia Central. Essa região é cercadas por cadeias de montanhas, ricas em minério, ferro, chumbo e metais preciosos. Grande parte da área central do planalto é dominadas por desertos e terras salgadas, havendo poucas terras férteis, propícias ao desenvolvimento agrícola. Somente nos vales entre as montanhas é possível o cultivo de cereais e árvores frutíferas.

Entre as tribos indo-européias que emigraram para o Irã destacaram-se os medos e os persas , que se estabeleceram, respectivamente, no norte e sul da região.

Ao final do século VII a.C., os medos tinham um império organizado, que se impunha sobre os persas. No reinado de Ciaxares ( 625-585 a.C.), os medos, aliados aos babilônios, conseguiram vencer os assírios, destruindo sua capital ( 612 a.C).

TTrinta e cinco anos após a morte de Ciaxeres, Ciro II ( 559-529 a.C. ), rei dos persas comandou uma revolta contra a dominação dos medos. Em 550 a.C., conquistou o território medo, vencendo Astíages, filho de Ciaxeres.

Ciro promoveu a unificação dos persas e dos medos, lançando as bases da construção de um império que se tornaria um dos maiores da antiguidade. Através de conquistas militares, Ciro e seus sucessores expandiram os domínios do Império Persa, que chegaram a ocupar uma vasta área, abrangendo desde o vale do rio Indo até o Egito e o norte da Grécia, incluindo toda a Mesopotânia.

Quando Dario lancou-se à conquista da Grécia, foi derrotado na famosa Batalha da Maratona ( 490 a. C.). Essa derrota praticamente assinalou o limite máximo das possibilidades de expansão do Império Persa.

O sucessor de Dário, Xerxes I tentou novamente conquistar a Grécia, mas também fracassou. Iniciou-se, então, a trajetória de decadência do Império Persa, que vai até 330 a.C., quando o império foi conquistado por Alexandre Magno ( Macedônia ), durante o reinado de Dario III.

Administração do grande império

Durante o reinado de Dario I ( 521 a 485 a.C. ), o império Persa atingiu seu grande apogeu. Além de expandir militarmente o império, Dario cuidou, sobretudo, de organiza-lo administrativamente.

Dario dividiu o império em várias províncias, chamadas satrapias. Cada satrapia era governada por um administrador local denominada sátrapa.

Para prevenir-se contra o excesso de autoridade do sátrapas, procurou vigiar e controlar seus poderes, designando um general de sua confiança como chefe do exército de cada satrapia.

Além disso, periodicamente, enviava altos funcionários a todas as províncias para fiscalizar os sátrapas. Esses inspetores reais ficaram conhecidos como olhos e ouvidos do rei.

Não havia uma capital única para o Império, isto é, o rei poderia ficar, temporariamente, em algumas cidades, como Pasárgada, Persépolis, Ecbatona ou Sasa.

Ainda tendo em vista as questões da unidade administrativa, os persas aperfeiçoaram os transportes e as comunicações. Grandes estradas foram construídas entre as principais cidades do império, destacando-se a estrada que ligava as cidades de Sardes e Susa, com 2.400 Km de extensão. Desenvolveu-se também um bom serviço de correios, a cavalo, com diversos postos espalhados pelos caminhos.

A adoção da lingua aramaica em todos os documentos oficiais era mais uma medida que visava a unidade do imenso império. O aramaico era a língua usada pelos funcionários do governo e principais comerciantes.

Vida econômica

A administração central do Império Persa não estabeleceu uma política econômicauniforme para seus vastos domínios. Cada região conquistada continuou exercendo suas atividades costumeiras,embora a unidade política imposta pelo império e a construção de grandes estradas servissem como incentivoao maior intercâmbio comercial entre as diferentes regiões.

Faltava,entretanto,a circulação de moedas para facilitar ainda mais as trocas mercantis. Dario I, então, mandou cunhar moedas de ouro(daricos), mas a quantidade era insuficiente. Só muito mais tarde permitiu-se a cunhagem de moedas de prata pelos sátrapas. Mesmo assim, a quantidade de moedas circulante não atendia às reais necessidades do comércio. Em vez de emitir moedas, os reis persas preferiam acumular tesourosem metais preciosos, obtidos às custas dos tributos arrancados dos súditos. Guardavam essa enorme riqueza que, além de alimentar a vaidade, servia para despertar a cobiça de povos estrangeiros. Quando Alexandre Magno conquistou o Império Persa, em 330 a.C., apoderou-se dos tesouros reais e iniciou sua transformação em moedas. A medida colaborou de forma extraordinária para dinamizar o comécio dessa região.

Vida cultural

Foi no campo religioso que se deu a contribuição mais original dos persas: Zoroastro ou Zoratustra ( século VI a.C. ) fundou uma religião cuja doutrina foi exposta no livro sagrado Avesta.

A doutrina de Zoroastro pregava a existência de uma incessante luta entre Ormuz, deus do bem, e Arimã, deus do mal. Zoroastro afirmava que somente no dia do juízo funal, quando todos os homens seriam julgados por suas ações, Ormuz venceria definitivamente Arimã.

Um dos principais deuses auxiliares de Ormuz na luta contra o mal era Mitra, que se tornou fortememte adorado por muitos persa. Ormuz não tinha imagens, seu símbolo era o fogo. Por isso, aqueles que o reverenciavam eram chamados de adoradores do fogo.

O zoroastrismo valorizava o livre-arbítrio do homem, isto é, cada pessoa era livre para escolher entre o caminho do bem ou do mal. É claro que, conforme sua escolha, responderia pelas conseqüencias no dia do juízo final.

Como os persas controlavam os povos vencidos

Comparados com os assírios, os persas podem ser considerados mais tolerantes. Os persas respeitavam a língua, os costumes e a religião dos povos dominados. Além disso, libertaram os judeus do Cativeiro da Babilônia e os auxiliaram a voltar para a Palestina e reconstruir o templo de Jerusalém.

O controle sobre os povos dominados era exercido principamente por meio de supervisão, uma vez que mantinham as elites locais nos postos importantes.

Por outro lado, a sustentação da máquina burocrático-militar, do luxo do rei e das elites, seus palácios, haréns, parques de caça,roupas finas, adornos e banquetes recaía sobre a população. Era grande o descontentamento popular, sendo agravado por outro fator: todos os povos do império estavam sujeitos ao serviço militar e deviam fornecer homens e mulheres para funções determinadas. Os babilônios, por exemplo, deviam fornecer eunucos ( homens castrados ) para vigiar o harém real. O descumprimento das ordens persas podia resultar em pena de morte ou graves castigo.

O rei Dario I deixou inscrições onde pode-se verificar o cruel tratamento que destinava aos condenados: cortava o nariz e a orelha, arrancava a língua e os olhos, crucificava e expunha o corpo publicamente. Além disso, outras modalidades de penas aplicadas eram: esfolamento, esquartejamento e decapitação.


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