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Os movimentos nativistas aconteceram na segunda metade do século XVII e primeira metade do século XVIII. Foram movimentos locais, não visavam a separação política e protestavam contra algum abuso do pacto colonial, como a criação de novos impostos ou aumento dos antigos.
Revolta de Beckman ( Maranhão 1684 ):
As causas da revolta foram a rivalidade entre os colonos e os jesuítas em razão da escravização dos índios utilizados como mão-de-obra na coleta das drogas do sertão ( os colonos queriam escravizá-los, enquanto os jesuítas pregavam sua catequese nas missões ) e os abusos da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão ( na época, a região fazia parte do Estado do Maranhão ).
A companhia havia sido criada para monopolizar o comércio com a região. Deveria trazer produtos de Portugal, assim como escravos negros, vendendo-os a preços mais reduzidos. Em troca, compraria a produção do Maranhão.
Entretanto, os produtos vindos da Metrópole eram caros e de baixa qualidade, os negros em número insuficiente e vendidos por preços abusivos. Quanto à produção local, os comerciantes portugueses queriam pagar preços abaixo do mercado.
Insatisfeitos com a situação, os irmãos Beckman, sentindo-se prejudicados ( eram grandes proprietários rurais ), lideraram uma revolta. Os jesuítas foram expulsos do Maranhão, os armazéns da companhia foram fechados e o governo tomado.
Portugal, entretanto, não demorou a sufocar o movimento. Enquanto Tomás Beckman foi chamado à Corte para fornecer explicações sobre os acontecimentos no Maranhão, Manuel Beckman, considerado o principal chefe foi enforcado.
Guerra dos Emboabas ( Minas Gerais 1709-1710 )
Consistiu em choques armados entre paulistas e os que eram considerados forasteiros, pelo direito de explorar as minas de ouro.
Quando correu a notícia sobre a descoberta do ouro no atual estado de Minas Gerais, milhares de pessoas dirigiram-se à região. Eram pessoas vindas de Portugal, do Nordeste ( decadente devido à queda da produção açucareira ) e de outras regiões da colônia.
Os paulistas, que haviam descobertos as jazidas protestaram, uma vez que reinvindicavam o direito exclusivo de exploração do ouro. Alegavam que, além de terem sido os descobridores, as terras da mineração pertenciam à Companhia de São Vicente.
Começaram a chamar os estrangeiros de emboabas, palavra tupi-guarani que significa " aves com penas nas pernas ". O apelido foi dado, porque os portugueses usavam botas de cano alto. No início, embora era utilizado apenas para designar os portugueses, depois, passaram a ser todos os que não haviam vindo de São Paulo.
Os emboabas expulsaram os paulistas de grande parte do território onde estava sendo praticada a mineração e aclamaram o português Manuel Nunes Viana, governador das minas de ouro.
Consta que o emboaba Bento do Amaral Coutinho acabou por assassinar um grande número de paulistas que estavam encurralados num capão de mato. O episódio, o Capão da Traição, levou os paulistas a se organizarem para a vingança.
Como para Portugal não interessava um conflito armado na região mineradora, tratou de acalmar os ânimos, tanto de paulistas, como dos emboabas.
Como consequência da guerra, foi criada a Capitania de São Paulo e das Minas do Ouro, separada da Capitania de São Vicente.
Os paulistas foram reintegrados nas regiões de onde haviam sido expulsos. Entretanto, muitos dirigiram-se aos atuais estado de Goiás e Mato Grosso, descobrindo novas jazidas.
Guerra dos Mascates( Pernambuco 1710-1714 ):
A causa remota da Guerra dos Mascates foi a rivalidade existente entre os moradores de Olinda e os de Recife. Em Olinda viviam os senhores de engenho, decadentes, em razão da queda na produção do açúcar e em Recife, ricos comerciantes portugueses. Os olindenses, que deviam grandes somas aos portugueses ( as dívidas vinham dos impostos atrasados, uma vez que os reinóis haviam arrematado a sua cobrança ), chamavam os comerciantes portugueses, pejorativamente de mascates.
A rivalidade vinha sendo acentuada porque, enquanto Recife, em razão de seu excelente porto, progredia a olhos vistos. O próprio governador da capitania, havia se mudado de Olinda para Recife.
Apesar de próspero e de possuir um intenso comércio, Recife era comarca de Olinda e não possuía Câmara Municipal. Como comarca, Recife era subordinada à Olinda, que era vila.
O conflito estourou quando o povoado de Recife foi elevado à vila e ganhou autonomia administrativa. Inconformados, os olindenses cercaram Recife. A guerra durou quatro anos e terminou com a chegada do novo governador da capitania. Recife, entretanto, continuou sendo vila, tornando-se, inclusive, sede da capitania.
Movimentos pela libertação da colônia:
Os movimentos que estouraram no final do século XVIII e início do XIX, já possuíam, claramente o ideal de independência. Foram movimentos regionais, que contestavam o pacto colonial como um todo e visavam a libertação de uma capitania ou de toda a colônia.
Esses movimentos aconteceram numa época em que o Antigo Regime entrava em declínio na Europa. As idéias iluministas pregavam o liberalismo político e econômico, a Revolução Industrial decretara o fim do mercantilismo, os Estados Unidos haviam realizado a sua independência em 1776 e a Revolução Francesa seria responsável pelo fim do absolutismo monárquico.
Inconfidência Mineira ( 1789 ):
De todos os movimentos, é considerado o mais importante, porque foi o primeiro a propor a separação política com a criação de uma República e por possuir idéias bastante avançadas para a época.
Foi um movimento da elite, causado pelos altos impostos cobrados sobre a mineração, pelas medidas tomadas pela rainha D. Maria I que proibira a instalação de manufaturas em Minas Gerais e pela derrama, que deveria ser decretada pelo Visconde de Barbacena, o novo governador da capitania, para receber os impostos em atraso. Segundo consta, os impostos em atrasados perfaziam a soma de 596 arrobas de ouro.
O movimento era inspirado nas idéias iluministas e na independência dos Estados Unidos.
Os inconfidentes pertenciam à uma elite intelectual e financeira. Eram poetas, juristas, mineradores, militares e padres: Thomás Antônio Gonzaga, Claúdio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Tenente-Coronel Francisco de Paula Freire, José Álvarez Maciel Rolim, José Carlos Corrêa e Luís Vieira da Silva.
Ao que consta, a única pessoa que pertencia a uma categoria social inferior, era o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes( é importante dizer que Tiradentes não era pobre, tanto é que ele tinha 4 escravos ...que na época era muito caro)
Os inconfidentes pretendiam libertar Minas Gerais( não o Brasil ), proclamar a República( a capital deveria ser São João del Rei ), estabelecer uma Universidade em Vila Rica, instalar fábricas, conceder ajuda de custo às familias numerosas e serviço militar obrigatório.
Quanto à libertação dos escravos afirmavam que não deveria acontecer ( inclusive Tiradentes ).
Haviam escolhido uma bandeira para Minas independente. Tratava-se de um retângulo com um triângulo e a frase em latim " Libertas quae sera tamen "( Liberdade ainda que tardia ).
O movimento, que deveria estourar quando Barbacena publicasse a derrama, fracassou, devido à traição de Silvério dos Reis e de outros inconfidentes, como Brito Malheiros e Corrêa Pamplona.
Ao tomar conhecimentos do que estava sendo tramado e que a revolta aconteceria quando publicasse a derrama, Barbacena suspendeu a cobrança dos impostos, que estava prestes a ser decretada e ordenou a prisão dos implicados. Conduzidos ao Rio de Janeiro, responderam por crime de inconfidência, ou seja, falta de fidelidade à rainha.
A sentença, somente concluída em 1792, determinava que Tiradentes ( que assumira a culpa do movimento e era o único de condição social mais baixa ) seria enforcado e esquartejado. Os demais inconfidentes deveriam ser exilados para as côlonias portuguesas da África e para as ilhas do Atlântico, em degredo temporário ou perpétuo.