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INQUISIÇÃO
A Inquisição foi uma instituição judicial criada,
na Idade Média, para localizar, processar e sentenciar às
pessoas culpadas de heresia. Foi seguramente mais uma das muitas páginas
negras da Idade Média, matando cerca de 350 mil pessoas na Europa.
No século XII, como resposta à heresia albigense, o papa Inocêncio
III organizou uma cruzada contra esta comunidade. No entanto, não
foi muito eficaz. A Inquisição oficializou-se em 1231, no
papado de Gregório IX. Os inquisidores eram franciscanos ou dominicanos,
nomeados diretamente pelo papa.
Em 1252, o papa institui a prática da tortura para obter a verdade
dos suspeitos. Caso o hereje se apresentasse por vontade própria,
os castigos seriam menores. Praticamente sempre sob tortura, os acusados
eram obrigados, a concordar com as acusações, tornando-se,
assim, seus próprios acusadores. O depoimento de duas testemunhas
bastava como prova de culpabilidade.
Os castigos e sentenças se proclamavam, em cerimônia pública,
no fim do processo chamdao Auto-de-Fé. Os castigos podiam ser uma
peregrinação, um suplício, uma multa, o confisco das
propriedades, detenção, prisão perpétua ou morte.
Uma vez que os albigenses foram controlados, em fins do século XIV,
a atividade da Inquisição arrefeceu.
Em 1542, alarmado pela difusão do protestantismo, o papa Paulo III
recrudesceu a Inquisição e estabeleceu o Tribunal do Santo
Ofício. Mais livre do controle episcopal que seu predecessor Gregório
IX, Paulo III começou a se preocupar com a ortodoxia dos textos teológicos
e eclesiásticos.
Em 1555, o papa Paulo IV empreendeu violenta perseguição contra
suspeitos de heresia, incluindo bispos e cardeais. Em 1559, elaborou a primeira
listagem de livros que atentavam contra a fé e a moral: O Índice
de livros proibidos (Index livrorum proibitorum).
A Inquisição espanhola que, como as inquisições
de muitos países europeus, já vinha acontecendo há
mais de um século, formalizou-se em 1478, através de um decreto
dos reis Fernando V e Isabel I. Tinha o objetivo de se ocupar do problema
dos judeus e, mais tarde, dos muçulmanos convertidos ao cristianismo.
A inquisição na Espanha serviu mais para atingir objetivos
do Estado que da Igreja, sempre com a crueldade conhecida em filmes de hoje
em dia que retratam a época.O Dominicano Tomás de Torquemada,
o mais famoso inquisidor-mor, executou milhares de supostos herejes. A Inquisição
acabou na Espanha em 1843.
Portugal repetiu o mesmo processo de violência em nome da Inquisição.
Os judeus espanhóis, fugindo da perseguição e da morte
que os ameaçava na Espanha, atravessaram a fronteira após
pagarem, por cabeça, uma soma em dinheiro ao rei D. Manuel I. Mais
tarde, estes judeus foram submetidos ao batismo forçado e as crianças
separadas de seus pais e levadas para os arquipélagos de Açores
e Madeira para, junto a casais católicos, cresceram na fé
cristã. Portugal instalou seu Tribunal do Santo Ofício no
Rossio, em Lisboa, e repetiu o drama de autos-de-fé encerrados com
seres humanos na fogueira. Se o acusado, antes de o fogo ser aceso, confessasse
sua culpa, era garroteado para não ser queimado vivo. Mesmo assim,
as chamas cumpriam seu papel de acabar de purgar os pecados e o fogo era
aceso para consumir o corpo. Até meados do século XVIII, a
inquisição funcionou em Portugal, mantendo a penalização
de matar, garroteado ou queimado, os suspeitos de serem judaizantes ou heréticos
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