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Egito Antigo

Introdução

Como acreditavam na imortalidade da alma, os egípcios antigos embalsamavam os mortos para que tivessem vida eterna. Produziram poemas, construíram magníficos palácios e templos. Para escrever, os egípcios utilizavam desenhos, os hieróglifos. Seu governo era fortemente centralizado na pessoa do monarca, chamado faraó, também chefe religioso supremo, como sumo-sacerdote dos muitos deuses em que acreditavam. O Estado controlava todas as atividades econômicas.

A sociedade era organizada em classes: família do faraó, sacerdotes, nobres, militares, agricultores, comerciantes e artesãos - escravos. As maiores contribuições dos egípcios foram: os fundamentos de aritmética, geometria, filosofia, religião, engenharia, medicina; o relógio do sol; o sistema de escrita e as técnicas agrícolas.

Hoje o Egito tem pouca identidade como nos tempos antigos, mas o seu território, onde a natureza permanece basicamente a mesma - uma combinação especial do Rio Nilo com o deserto - guarda os vestígios daquela que foi uma das mais importantes civilizações da Idade Antiga.

Como lar de uma das mais antigas civilizações do mundo, o Egito tem uma história muito longa. O país foi unido pela primeira vez, há cerca de 5.000 anos, por um rei chamado Menés, que criou a primeira capital do Egito, Mênfis. Nos 3.000 anos seguintes, o Egito foi governado por 30 dinastias, ou famílias de reis, diferentes. O poder, geralmente, era mantido em família através do casamento dos reis com suas irmãs. Algumas dessas dinastias eram fracas demais para deter as invasões estrangeiras ou para impedir que o país fosse dividido em estados menores. Outras dinastias trouxeram um governo longo e glorioso, com grandes realizações para o Egito. Basicamente o reinado de Egito foi dividido em três períodos de tempo: O Velho Reinado, O Reinado Intermediário e o Novo Reinado.

O Velho Reinado (Época Tanita, Antigo Império), que foi de 2920 A.C. até 2134 a.C., também é chamado Era das Pirâmides. O Rei Djeser da 4ª Dinastia fez com que seu famoso escriba, Imhotep, projetasse a pirâmide em Sakara, o primeiro grande monumento de pedra no Egito. Isso inspirou os todos poderosos reis da 5ª Dinastia a construir um grande complexo em Gizé, incluindo a Grande Pirâmide (Pirâmide de Kufu, ou Keops). Consequentemente, o trabalho em pedra tornou-se uma importante parte no antigo Egito.

O Velho Reinado viu a altura do poder dos reis. Tornaram-se conhecidos como filhos do deus Rá e donos de todo o Egito. Mas os reis gastaram muito tempo e dinheiro no culto a Rá. Logo, os senhores locais começaram a tomar o poder e os reis perderam sua força.

O Reinado Intermediário (1° Período Intermediário, Médio Império, 2° Período Intermediário), que foi de 2134 a.C. até 1640 a.C., começou quando Mentuhotep II, o último da 8ª Dinastia, promoveu a união do país. O comércio cresceu e houve muitas construções em todo o Egito. Os reis ainda eram considerados deuses, mas agora sabiamente dividiam o poder com os senhores locais chamados nomarcas. O culto a Osíris tornou-se popular e com o crescimento de uma classe média, cada vez mais pessoas podiam preservar (mumificar) seus corpos para o pós-vida.

Durante a 13ª Dinastia, os nomarcas começaram a pressionar os reis para obter maior poder. Nessa época de fraqueza, o Egito subitamente foi invadido pelo leste por um povo chamado Hyksos (provavelmente da Síria) que tinham uma nova arma: uma biga puxada por cavalos. Eles tomaram o país e tornaram-se os novos reis, terminando assim o Reinado Intermediário.

Os príncipes de Tebas (atual Luxor) eventualmente dominaram a biga, e o Rei Ahmose finalmente expulsou os Hicsos do Egito e reuniu novamente o país. Sua 18ª Dinastia começou com o Novo Reinado (Novo Império, 3° Período Intermediário, Baixa Época, Época Ptolemaica) 1550 a.C. até 30 a.C. Às vezes, este é chamado Período do Império, porque o Egito expandiu ao máximo o seu território sob o reinado de Thutmose III, um grande guerreiro, que foi a 17 campanhas de guerras. Os faraós do Novo Reinado governavam de Tebas, que também era a capital religiosa do país, e o deus Amon-Rá tornou-se o mais reverenciado.

O Novo Reinado é lembrado por causa de alguns dos mais famosos faraós. A Rainha Hatshepsut, uma grande patrona das artes, foi a primeira mulher governante a ter poder na história. Ramsés II construiu grandes monumentos para si mesmo por todo o país, e alguns dizem que ele foi o faraó que relutantemente permitiu que Moisés levasse os israelitas para fora do Egito. Amenófis IV mudou seu nome para Akhenaton porque queria adorar um novo Deus, Rá, representado pelo deus Aton, o disco do sol, e mais nenhum outro deus e mudou a capital do Egito de Tebas para El-Amarna. Mas, a nova religião de Akhenaton não entrou no coração de seu povo. O filho de Akhenaton, Tutankamon (ou Rei Tut), é famoso porque sua câmara mortuária foi encontrada intacta em 1922, cheia de ouro e tesouros.

No final do novo reinado, o Egito entrou em declínio, com diferentes grupos lutando pelo poder. Um dos principais motivos do Egito ter perdido o poder foi porque outros países começaram a fabricar armas de ferro, um metal muito mais forte que o bronze. Foi difícil o Egito se opor, pois o país não tinha nenhuma fonte de ferro. A Pérsia invadiu o Egito em 525 a.C. e novamente em 342 A.C. Quando Alexandre, O Grande, entrou no Egito em 332 a.C., iniciou-se uma nova dinastia de faraós gregos chamada Dinastia Ptolomaica. Os Ptolomaicos governaram por 300 anos, mas foram massacrados pelos Romanos.Isso fez com que a era dos faraós terminasse no Egito. Os romanos então ocuparam o Egito por 600 anos.

O Egito fez parte do Império do Oriente até a conquista árabe, em 640 d.C. Os fatímidas, fundadores do Cairo, foram vencidos por Saladino e, cerca de 1250, o poder passou aos mamelucos. Em 1517, Selim reuniu o Egito ao Império Otomano. A expedição francesa ao Egito, comandada por Napoleão Bonaparte durou de 1798 até 1801. Nessa expedição foi encontrada a famosa Pedra de Roseta que foi a base para a decifração dos Hieróglifos.

Arquitetura

As pirâmides são sem dúvida o paradigma da arquitetura egípcia. Suas técnicas de construção continuam sendo objeto de estudo para engenheiros e historiadores. A pirâmide foi criada durante a 3ª dinastia, pelo arquiteto Imhotep, e essa magnífica obra lhe valeu a divinização. No início, as tumbas egípcias tinham a forma de pequenas caixas, eram feitas de barro, recebendo o nome de mastabas (banco). Foi desse arquiteto a idéia de superpor as mastabas, e assim criando uma pirâmide.

Também se deve a Imhotep a substituição do barro pela pedra, o que sem dúvida era mais apropriado, tendo em vista a conservação do corpo do morto. As primeiras pirâmides foram do rei Djeser e eram escalonadas. As mais célebres do mundo pertencem com certeza à 4ª dinastia e encontram-se em Gizé (Kufu, Quéfren e Menkaure), cujas faces são completamente lisas. A regularidade de certas pirâmides deve-se aparentemente à utilização de um número áureo, que muito poucos arquitetos conheciam.

Outro tipo de construção foram os hipogeus, templos escavados nas rochas, dedicados a várias divindades ou a uma em particular (como em Abu Simbel). Normalmente eram divididos em duas ou três câmaras: a primeira para profanos; a segunda para o faraó e os nobres e a terceira para o sumo sacerdote. A entrada para estes templos era protegida por galerias de estátuas de grande porte e esfinges. Quanto à arquitetura civil e palaciana, as ruínas existentes não permitem uma informação a esse respeito.

Escultura

A escultura egípcia foi antes de tudo animista, encontrando sua razão de ser na eternização do homem após a morte. Foi uma estatuária principalmente religiosa. A representação de um faraó ou um nobre era o substituto físico da morte, sua cópia em caso de decomposição do corpo mumificado. Isso talvez pudesse justificar o exacerbado naturalismo alcançado pelos escultores egípcios principalmente no Império Antigo. Com a passar do tempo, à exemplo da pintura, a escultura acabou se estilizando.

As estatuetas de barro eram peças concebidas como partes complementares do conjunto de objetos no ritual funerário. Já a estatuária monumental de templos e palácios surgiu a partir da 18ª dinastia, como parte da nova arquitetura imperial, de caráter representativo. Paulatinamente, as formas foram se complicando e passaram do realismo ideal para o grande amaneiramento completo. Com os reis ptolomaicos, a influência da Grécia revelou-se na pureza das formas e no aperfeiçoamento das técnicas.

A princípio, o retrato tridimensional foi privilégio de faraós e sacerdotes. Com o tempo estendeu-se a certos membros da sociedade, como os escribas. Dos retratos reais mais populares merecem menção os dois bustos da rainha Nefertite, que, de acordo com eles, é considerada uma das mulheres mais belas da história universal. Ambos são de autoria de um dos poucos artistas egípcios conhecidos, o escultor Thutmosis, e encontram-se hoje nos museus do Cairo e de Berlim.

Igualmente importantes foram as obras de ourivesaria, cuja maestria e beleza são suficientes para testemunhar a elegância e a ostentação das cortes egípcias. Os materiais mais utilizados eram o ouro, a prata e pedras. As jóias sempre tinham uma função específica (talismãs), a exemplo dos objetos elaborados para os templos e as tumbas. Os ourives também colaboraram na decoração de templos e palácios, revestindo muros com lâminas de ouro e prata lavrados contendo inscrições, dos quais restaram apenas testemunhos.

Escrita e Pintura

A escrita egípcia, uma das mais antigas do mundo, não utiliza um alfabeto, mas centenas de pequenos desenhos combinados de diferentes maneiras: os hieróglifos. Aprendia-se nas escolas ou nas casa de aprendizagem dos templos, que eram centos intelectuais completos. O escriba servia-se de uma paleta com duas pastilhas de tinta e canas adaptadas para pincéis, assim como de um godê de água. Em algumas épocas, os numerosos textos relativos aos problemas cotidianos provam que muitas pessoas sabiam ler e escrever. Quanto aos desenhistas, chamam-se "escribas das formas".

Cada desenho é utilizado seja por seu valor de imagem, seja pelo som que representa - e que, junto a outros signos-sons, compõem uma palavra mais complicada - ou então de maneira abstrata para enquadrar uma palavra em uma categoria dos sentidos. Na escrita dita "hieroglífica", os signos (cerca de 700 na época clássica) são perfeitamente desenhados com todos seus detalhes e cores. Os egípcios serviram-se desta escrita muito decorativa durante quase 3.500 anos sobre as paredes dos templos e túmulos, sobre as estrelas e estátuas e às vezes sobre os papiros.

Desde o Antigo Império, para escrever muito rápido ou em um suporte impróprio ao hieróglifo tratado (papiro, óstraco, tábua untada de cera, gesso, couro...), simplifica-se a escrita, é a "hierática". Às vezes, o perfil do conjunto do hieróglifo é reconhecível, outras vezes, só a direção geral do traçado é identificável. Escreve-se, normalmente, da direita para a esquerda e horizontalmete. Mais tarde nasceu a demótica, tão simplificada que parece nossa estenografia. É a escrita da administração e da vida diária a partir de, aproximadamente, 700 a.C.

Um óstraco (do grego "concha") é uma caco de olaria, um fragmento de pedra no qual anota-se o que não merece o suporte nobre e oneroso do papiro ou da parede de um monumento: rascunhos, recibos contábeis, exercícios de alunos, prescrições médico-mágicas. Quando não há mais lugar nos arquivos, são jogados fora: milhares foram encontrados no poço ptolomaico, com 52 m de profundidade, cavado em Deir el-Medineh na esperança (desiludida) de encontrar água. Os óstracos são uma fonte incomparável de conhecimento da vida cotidiana dos egípcios.

Com a ajuda de ferramentas simples e manejáveis (bastões, cordéis e fragmentos de carvão), os desenhistas traçam na parede um quadriculado baseado na medida linear usual (côvado de aproximadamente 50 cm) e suas subdivisões. Nas representações, respeitam as proporções convenientes. Os olhos de frente em um rosto de perfil, os ombros de frente e as pernas de perfil, uma perspectiva traduzida pela justificação do desenho egípcio, identificáveis pelo público, que já está habituado. A imagem deve falar a todos os que não sabem ler.

A pintura egípcia teve seu apogeu durante o império novo, uma das etapas históricas mais brilhantes dessa cultura. Entretanto, é preciso esclarecer que, devido à função religiosa dessa arte, os princípios pictóricos evoluíram muito pouco de um período para outro. Contudo, eles se mantiveram sempre dentro do mesmo naturalismo original. Os temas eram normalmente representação da vida cotidiana e de batalhas, quando não de lendas religiosas ou de motivos de natureza escatológica.

As figuras típicas dos muros egípcios, de perfil mas com os braços e o corpo de frente são produtos da utilização da perspectiva da aparência. Os egípcios não representaram as partes no real, mas sim levando em consideração a posição de onde melhor se observasse cada uma das partes: nariz e o toucado aparecem de perfil, que é a posição em que eles mais se destacavam, os olhos , braços e tronco são mostrados de frente. Essa estética manteve-se até meados do império novo, manifestando-se depois a preferencia pela representação frontal.

Um capítulo à parte na arte egípcia é representado pela escrita. Um sistema de mais de 600 símbolos gráficos, denominados hieróglifos, desenvolveu-se a partir do ano 3.300 a.C. e seu estudo e fixação foi tarefa dos escribas. O suporte dos escritos era papel fabricado com base na planta do papiro. A escrita e a pintura estavam estreitamente vinculados por sua função religiosa. As pinturas murais dos hipogeus e as pirâmides eram acompanhadas de textos e fórmulas mágicas dirigidas às divindades e aos mortos.

É curioso observar que a evolução da escrita em hieróglifos mais simples, a chamada escrita hierática, determinou na pintura uma evolução semelhante, traduzida em um processo de abstração. Esse obras menos naturalistas, pela sua correspondência estilística com a escrita, foram chamadas, por sua vez, de Pinturas Hieráticas. Do império antigo conservam-se as famosas pinturas Ocas de Meidun e do império novo merecem menção os murais da tumba da rainha Nefertari no Vale das Rainhas, em Tebas.

Um símbolo hieróglifico popular era a cártula. quando escrito em hieróglifos, o nome do faraó era circunscrito numa corda oval com um nó embaixo. Este círculo representava a eternidade, e colocando seu nome dentro dele, o faraó esperava viver para sempre. Hoje, os muitos turistas que visitam o Egito têm seus nomes escritos em hieróglifos dentro de uma cártula de ouro.


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