O povo egípcio desenvolveu uma cultura avançada em matemática, medicina e no estudo das estrelas. Essa cultura mais tarde influenciou os gregos e romanos, formando a base do que hoje conhecemos por "Civilização Ocidental".
A maior parte dos antigos egípcios eram fazendeiros ou artesãos. Eles faziam brinquedos para os seus filhos, tinham gatos de estimação, usavam maquilagem (tanto homens quanto mulheres) e viam a mágica à sua volta.
Os egípcios de classe alta incluíam escribas, sacerdotes e a família real. Seu governo era fortemente centralizado na pessoa do monarca, chamado faraó, a palavra "faraó" era um tratamento de respeito que significava "casa grande", o palácio onde o rei vivia. Também chefe religioso supremo, como sumo-sacerdote dos muitos deuses em que acreditavam. O Estado controlava todas as atividades econômicas. Os egípcios consideravam seu faraó um deus. Eles sentiam que só ele poderia pedir aos outros deuses que o Nilo pudesse transbordar, para que as plantações crescessem e que o país tivesse comida o bastante. Eles também esperavam que o rei liderasse o exército e protegesse o país das invasões estrangeiras.
Muitos sacerdotes ajudavam o faraó para manter a "ordem cósmica" pela realização de rituais para agradar aos deuses. Os sacerdotes trabalhavam em templos em todo o país, e geralmente nasciam numa família de sacerdotes. Um outro trabalho importante no Antigo Egito era dos escribas. Os escribas eram poderosos porque sabiam ler e escrever. Toda cidade tinha um escriba para escrever as estatísticas, recolher os impostos, resolver assuntos legais e recrutar homens para o exército. Alguns escribas copiavam textos religiosos nas paredes dos templos e nos rolos de papiros. Os escribas escreviam numa linguagem que usava figuras, chamadas hieróglifos, para representar os sons e as idéias. Mais de 700 figuras diferentes eram usadas para escrever os hieróglifos. Eram complicados, propositadamente, para que os escribas pudessem manter o seu poder.
Medição do Tempo
Os egípcios utilizam, no dia a dia, um calendário dividido em três estações inspiradas nas atividades agrícolas, "a inundação", "a germinação" e "a colheita". Cada uma das estações compreende quatro meses de trinta dias. A dezena (dez dias) eqüivale um pouco mais à cinco dias suplementares, não classificados, formando um total de 365 dias. Assim, em comparação as ano "natural" solar de 365 dias e 1/4, o ano egípcio se distancia de um dia a cada quatro anos. Seu início de dá com a chegada da inundação, em julho.
Os egípcios dividem sua jornada em 24 horas, de um alvorecer a
outros, 12 para o dia, 12 para a noite. As horas não tem uma duração
invariável conforme as estações. A liturgia se cumpre
em monumentos preciso poder identificar. Entre o pessoal do templo, certos
sacerdotes são especializados são especializados no cálculo
da hora. Durante o dia, eles podem fazer ajustes e prover a água
dos clepsidras ("relógios de água") ou ainda utilizar
os princípios do quadrante solar.
Depois de algumas centenas de anos a observar o céu noturno, os egípcios
notaram uma certa regularidade nos movimentos aparentes das estrelas. Criaram
tabelas anotando, dia após dia. Para determinar a hora, basta saber
em qual dia está, ter uma boa tabela, estar em um bom lugar e não
se enganar de estrela. A observação é feita com a ajuda
de uma bastão e de um esquadro em fio de prumo, por um "astrônomo"
e um assistente de pontaria.
Diversão
Presente na vida cotidiana e na corte do faraó durante as cerimônias religiosas, a música está em todas as festas. Os egípcios não têm notação para a música, que não pode ser reconstituída. Os instrumentos são inúmeros e muito parecidos com os que existem hoje em dia. Há cordas (harpas, liras e alaúdes), percussões (tambores e tamborins, castanholas e sistros), sopros (trompetes, flautas) e mesmo palhetas de instrumentos de sopro (clarinetes e oboés)... Estes instrumentos eram tocados sozinhos ou agrupados em orquestras para acompanhar cantos e danças.
Os jogos mais populares são jogos de mesa. O jogo de 58 buracos se joga a 2, cada um tem 5 fichas com cabeças de cachorro ou chacal que avançam nos buracos da bandeja do jogo, de acordo com os pontos obtidos ao jogo, de acordo com os pontos obtidos ao se lançar ossinhos o pequenos bastões. existem espaços mais curtos entre certos buracos, que permitem uma nova jogada. O primeiro jogador a colocar 3 de suas fichas no final do percurso ganha. O senet se joga normalmente a dois, mas representa-se, às vezes, o morto jogando sozinho o senet sob uma tenda, trata-se de um maneira de dizer que seu destino no além está em jogo.
Cada um dispõe, normalmente, de 7 peões com forma variada. Na partida, são colocados em alternância sobre as primeiras casas da bandeja retangular dividida em 30 casas alinhadas por 10. Para avançá-los, lança-se os pequenos bastões decorados em um dos lados, que podem cair de maneira a oferecer de 1 a 5 pontos. É permitido avançar todos os peões simultaneamente. Algumas casas oferecem o direito de jogar de novo, outras obrigam a passar a vez ou voltar atrás. Ganha o primeiro que conseguir tirar da bandeja todos os seus peões.
Vestuário
Os vestuários encontrados nos túmulos não parecem com os representados nas paredes ou estátuas. São tecidos com mais freqüência em linho, mas a lã é conhecida e apreciada no inverno. Em épocas remotas, apreciava-se a simplicidade. Na dinastia de Ramsés III (20ª dinastia), a moda elegante é mais frívola: as tangas dos homens se superpõem e se alongam, para homens e mulheres, vestidos, camisas e xales pregueados. Os trabalhadores continuam a vestir uniformes práticos para exercer seus ofícios, tangas simples ou uma espécie de tapa-sexo.
Os egípcios se barbeiam e raspam a cabeça, suas companheiras se depila, e todos usam peruca. A maquiagem dos olhos, de Kohol preto que protege de irritações e infeções ocular e é utilizada pelos dois sexos, da mesma forma que o uso de óleos e ungüentos de extratos de plantas aromáticas, sempre perfumados, para suavizar a pele. Em casa, os produtos de toalete e de potes sempre de uma arte muito refinada: as navalhas de barba, pentes e espelhos de metal polido são guardados em cofres.
Homens e mulheres usam jóias: colares, braceletes, cintos trabalhados, anéis e brinco. A prata, muito rara, há muito era considerado o metal mais precioso. As jóias luxuosas são feitas de ouro e pedras finas (turquesa, cornalina ou lápis-lázuli), os egípcios ignoram as pedras preciosas, em troca, apreciam o vidro e a faiança por causa de suas cores vivas. As jóias mais modestas são em cobre, bronze ou osso. A toaletes completa-se com sandálias e os senhores usam uma bengala de bom grado.
Trabalho
A palavra "trabalho" se escreve com um hieróglifo de trabalhador manual, um homem que usa uma alcofa na cabeça. Trabalhar é algo normal no mudo dos vivos, mas aparentemente ressente e contraria quando se deseja nada fazer (no além. A idéia que todo trabalho merece salário já é conhecida no Egito. Mas nem sempre as profissões dele se valem. As condições de vida de diversos trabalhadores manuais e afirma que não há nenhuma profissão sem chefe, exceto a dos escribas.
"A nenhum escriba falta alimento", proferem as escritas à glória deste nobre oficio. O domínio da escrita, do cálculo e do desenho produz pessoas instruídas que dominam todos os setores da complexa administração egípcia. Há, certamente, escribas e escribas: alguns são, antes de tudo, administradores e contadores (escribas das propriedades, exército); outros possuem responsabilidades mais intelectuais ou diplomáticas (escribas dos templos, de alguns serviços do vizir); outros são medíocres escrivães públicos nas cidades de província
"O Túmulo", abreviação do "grande e augusto túmulo de milhões de anos do Faraó no ocidente de Tebas", é uma instituição encarregada de realizar e fiscalizar os túmulos das famílias reais do Novo Império. Fundado no início da 18ª dinastia, por Amenofis I, é dissolvida no final da 20ª dinastia. Suas atribuições se estendem ao Vale dos Reis, das Rainhas, à cidade dos operários e aos atalhos que vão de um dos lugares a outro. Ela é colocada diretamente sob a autoridade do vizir e o número de operários especializados oscila, segundo as necessidades , entre 15 e 120.
A equipe compreende cabouqueiros, desenhistas e escultores, é dividida em dois "lados", o direito e o esquerdo, sempre citados nessa ordem. Cada lado tem seu próprio chefe de equipe. Quando um túmulo está em fase de escavação, os operários pegam o caminho do Vale que lhe diz respeito e acampam na montanha durante o período dos trabalhos, na estação do pescoço". Todas as manhãs, o escribas do Túmulo procede a chamada, depois trabalha-se oito horas, durante oito dias, seguidos de dois dias de repouso na cidade. As festas religiosas e familiares são nos feriados.
Os superiores do Túmulo são pelo menos três: os dois chefes de equipe e o escriba do Túmulo. Ocasionalmente reunidos pelo chefe dos desenhistas da equipe, eles são os quatro superiores do Túmulo. seus homólogos externos são os quatros administradores da planície: dois escribas e os chefes dos guardas do Oeste de Tebas. Estes oito personagens reunidos em conselho registram os contatos e julgam os litígios entre operários e pessoas de fora. sua sede é o posto de controle do Túmulo, situado em uma "zona livre", que guarda os arquivos, provisões e serve de intermediário com o mundo exterior.
O início de cada mês, os operários recebem rações de trigo e cevada para alimentar sua família. Às vezes, eles economizavam para trocar os suprimentos por diversos objetos, animais, serviços... Foi assim que alguns poderam cavar bonitos túmulos ao lado da cidade. Os chefes e - sem duvida - o escriba, recebem duas vezes mais que simples operários. O montante é menos certo, talvez 4 sacas (com cerca de 77 litros) para os superiores. A medida da quantidade de grão às vezes é alterada (no ano 17 e, certamente, no ano 29).
A primeira greve da historia foi no ano 29 de Ramsés III (1156 a.C.). Cerca de vinte dias após a data regulamentar, sem novidades sobre seus salários, os operários se revoltam: eles saem de seus guetos, invadem Medinet Habu gritando "Temos fome!", depois vão para Deir el-Bahari e sentam-se atrás do templo de Tutmés III. No dia seguinte, vão à sede da administração do oeste de pelo menos dois meses e acabam em acusações de incompetência contra a administração. Ocorrem outras greves nos meses e nos anos que se seguem.
As ferramentas dos cabouqueiros são picões de bronze, macetes
de madeira e cortadores de pedras. Em Deir el-Medineh, as ferramentas de
bronze preciosas, pertencem ao Estado e são cuidadosamente guardadas
em armazéns fechados e protegidos por guardas. Seu pesos são
levados ao ferreiro, que as funde para refazê-las. Os pintores possuem
pincéis e brochas de fibras vegetais ou de pelos de animais. As cores
se apresentam sob a forma de "pães" de pigmentos em pó
prensado, que se dilui à medida das necessidades.
Moradia
As casas dos egípcios são bem menos conhecidos que seus tempos e túmulos, destinados, por definição, a desafiar a eternidade. As casas são sempre construídas com tijolos crus, bons isolantes térmicos, mas muito perecíveis. São conhecidos mais freqüentemente em fase nivelamentos de terreno. Alguns modelos reduzidos de casas simples ou luxuosas e algumas representações feitas segundo as convenções habituais do desenho egípcio, que não conhece nossa perspectiva (e por isso difíceis de ler), nos dão uma vaga do arranjo das casas.
A casa de um operário do túmulo tem apenas o andar terreiro e se abre para a rua principal da cidade. Os muros exteriores, de pedra, tijolo cru e madeira, pintados de branco, são altos com cerca de 3 a 5 m. O telhado plano, com terraço construído sobre haste de palmeira, serve de desafogo. No interior, o solo é de terra batida, às vezes pintado de branco ou vermelho. As escadas conduzem em direção ao terraço e à adega. No primeiro cômodo um curioso estrado, o "leito fechado", servia, talvez, aos partos, no segundo, um nicho onde bustos dos acestrais mortos recebiam um culto familiar, o "larário". E sem sanitários...
Os egípcios usam ferrolhos e uma espécie de chave. Na cidade dos operários, ao sair de casa puxa-se um cordinha do lado de fora, o ferrolho é deslocado de seu alojamento na parede e bloqueia o batente da porta. Mas como abrir? Retira-se do bolso uma pequena cravelha que se enfia na cordinha. Pelo buraco da porta é posicionada no prolongamento do ferrolho e, tocando nas cordinhas, puxa-se o ferrolho. Soltando, então, as cordinhas já é possível puxar o batente da porta, entrar em casa e... apanhar a pequena cravelha.
As pessoas abastadas vivem em belas vivendas, de grande superfície, de um ou mais andares. Na cobertura com terraço, bocas de ventilação captam "o sopro doce do vento do norte" que refresca a atmosfera. As paredes e o solo podem estar decorados com pinturas de paisagens. Uma das fachadas da casa ornamentada com uma colunata dá para um jardim plantado de árvores (palmeiras, sicómoros, árvores frutíferas...), inteiramente cercado por um muro, com um lago no centro. O jardim abriga sempre um pavilhão onde onde geralmente se encontra a cozinha
O hábito dos egípcios serem freqüentemente enterrados com todo seu mobiliário constitui uma grande oportunidade de estudo para os arqueólogos. Sabe-se que este mobiliário é limitado e fácil de transportar: a numerosas esteiras, fazendas e almofadas, somam-se tamboretes e cadeiras. Não se come à mesa, mas em suportes em que são colocados taças ou pratos. Os pertences são arrumados em cofres ou cestos e os alimentos, sólidos ou líquidos, conservados em pequenos ou grandes vasos. Dorme-se em leitos baixos, até mesmo no chão, com a cabeça apoiadas na cabeceira, como ainda se faz em alguns países da África e Ásia.
Os egípcios iluminam os recintos com candeeiros a óleo
- sempre confeccionado simplesmente em cerâmica - embebido em uma
mecha de linho torcido. Quanto mais óleo é purificado e envelhecido,
menos ele fumega. Outra receita para evitar a fumaça, ainda conhecida
de nossas tataravós antes da eletricidade se tornar comum, é
saturar as mechas de sal e deixá-las secar bem. Estas mechas em salmoura
evitam a fumaça. Na cidade dos operários, as mechas são
contadas e guardadas à chave. Nos túmulos reais, a iluminação
é feita com velas de gordura salgada colocadas em vasos.