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Muito boa a prova de História do vestibular da Efei - Escola Federal
de Engenharia de Itajubá. Para nós é gratificante encontrar
uma prova escrita de história em um vestibular que pretende selecionar
estudantes para seus cursos de engenharia.
Uma grande parte das instituições de ensino superior tendem
a valorizar as disciplinas mais vinculadas com os cursos oferecidos. No
caso da engenharia, normalmente encontramos provas de matemática
e física consideradas como as mais importantes.
Independentemente do "peso" atribuído a cada matéria no vestibular na EFEI, o fato de exigir dos candidatos um conhecimento de história, expresso em questões discursivas, garante, sem dúvida, a essa instituição de ensino, alunos mais capacitados, no sentido de terem no futuro maior facilidade de integração no mercado de trabalho, pois podem compreender as mudanças pelas quais passam as sociedades e consequentemente suas necessidades.
ESCOLA FEDERAL DE ENGENHARIA DE ITAJUBÁ
PROCESSO SELETIVO - VESTIBULAR/1999
HISTÓRIA
1. Por que as nascentes monarquias nacionais européias tinham interesse na expansão Marítimo-comercial nos séculos XV e XVI?
Resposta: Pela necessidade de dar vazão ao excedente de
produção interna e daí a oportunidade de obtenção
de lucros.
No caso específico da expansão marítima da Península
Ibérica, que tinha como atividade econômica básica a
intermediação comercial, o interesse era a obtenção
de novos mercados consumidores.
2. Em oposição aos velhos valores medievais a mentalidade do homem renascentista formulou novos princípios. Um desses princípios foi o racionalismo. Explique em que consistia esse racionalismo.
Resposta: Racionalismo - Explicação das coisas através do uso da razão, em substituição à explicação predominante no período medieval que era de origem religiosa.
3. Dentro da política mercantilista, o sistema colonial representava uma peça fundamental para o enriquecimento das Metrópoles. A partir daí tivemos a exploração colonial que marcou a colonização da América e algumas regiões da Ásia e da África. Entretanto, essa colonização não foi igual para todas as regiões conquistadas. Formaram-se as colônias de exploração e as colônias de povoamento. Quais as diferenças básicas entre esses dois tipos de colônias?
Resposta: Colônias de exploração - produção
para o mercado externo, relações de trabalho escravistas,
estrutura fundiária concentrada.
Colônias de povoamento - produção para o mercado interno,
relações de trabalho livres, estrutura fundiária bastante
fragmentada.
4. No século XVIII ocorreu um dos fatos históricos mais
marcantes do mundo moderno: a Revolução Industrial. Iniciada
na Inglaterra, expandiu-se para os países que tiveram condições
de implantá-la.
Explique os fatores econômicos, políticos e sociais que contribuíram
para o pioneirismo inglês na Revolução Industrial.
Resposta: Econômicos - Acumulação primitiva
de capital proporcionada pela atividade comercial, inovações
tecnológicas aplicadas ao processo produtivo.
Políticos - A instituição da Monarquia Parlamentar
em 1688, oferecendo espaço significativo na estrutura de poder à
burguesia comercial e manufatureira.
Sociais - Os cercamentos, enquanto política da Monarquia Constitucional
como fator de geração de mão-de-obra abundante nos
centros urbanos.
5. Com a perda da autonomia política de Portugal em prol da Espanha
(União Ibérica), a partir de 1580, ocorre uma mudança
significativa na administração da colônia Brasil.
Caracterize essa mudança na forma administrativa da colônia,
e que perdurou até 1642.
Resposta: A administração espanhola vai oferecer aos colonos uma significativa autonomia administrativa, constituindo como poder efetivo as estruturas municipais, escolhidas pelos próprios colonos dentre os representantes da elite econômica - os homens bons.
6. Referindo-se ao papel desempenhado pelos holandeses na indústria
açucareira brasileira, no período anterior à União
Ibérica, Celso Furtado escreveu: "... o negócio do açucar
era, na realidade, mais deles do que dos portugueses."
Explique essa afirmação.
Resposta: O estabelecimento da indústria açucareira no Brasil só foi possível aos portugueses a partir da disponibilização de capitais e de uma estrutura de distribuição do produto no mercado europeu pelos holandeses.
7. Dentre as revoltas ocorridas antes da nossa Independência, a Conjuração Baiana de 1798 (Revolta dos Alfaiates), recebe menor destaque da Historiografia Oficial em relação à Conjuração Mineira. Em quais aspectos os planos dos revoltosos da Bahia diferiam dos ideais da Conjuração Mineira?
Resposta: A Revolta dos Alfaiates tem origem, ao contrário da Conjuração Mineira, nos subestratos da sociedade. Em função disso seu progresso político é revolucionário no sentido do termo. Propunha a abolição da escravatura e uma redistribuição da renda em favor dos segmentos até então desfavorecidos.
8. Um dos fatos relevantes da política externa do Segundo Reinado
foi o desencadeamento da Guerra do Paraguai (1865-1870). Como conseqüência
do conflito, o Império Brasileiro foi fragilizado em dois aspectos
fundamentais: o econômico e o político.
Explique esses dois aspectos.
Resposta: Econômico - Os custos do conflito significaram
um endividamento muito grande do Império e a necessidade de se buscar
recursos junto à Inglaterra.
Político - A constituição do Exército Brasileiro
como uma estrutura forte, pelas necessidades do conflito fez com que este
assumisse papel relevante na estrutura de poder e se posicionasse a favor
da República.
9. A Revolução Russa de 1917 se constituiu em um primeiro
momento histórico da ruptura com os modelos sócio-econômicos
até então conhecidos e uma tentativa de implementação
de um modelo socialista.
Como poderíamos considerar a importância da presença
da Russia Czarista na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) no sucesso do
levante bolchevique?
Resposta: A Russia Czarista se desgastou extremamente nos três primeiros anos do conflito mundial em termos econômicos e de perdas de tropas levando a um descontentamento popular muito grande que auxiliou no desencadeamento da revolta socialista de 1917.
10. Explique como o avanço da cultura cafeeira através do lado paulista do Vale do Paraíba, a partir da segunda metade do século XIX, veio criar condições para o início da industrialização no Brasil, pioneiramente no Estado de São Paulo.
Resposta: O sucesso da cultura cafeeira em São Paulo, na segunda metade do século XIX, possibilitou a acumulação primitiva de capital para posterior aplicação no início da industrialização. Ainda a queda da lucratividade desta atividade no início do século XX fez com que os capitais acumulados anteriormente deixassem de ser reinvestidos na atividade cafeeira e mirassem para a atividade industrial.
11. Um dos desdobramentos da ideologia fascista da Alemanha hitlerista
e da Itália de Mussolini foi o recrudescimento da política
de Getúlio Vargas que, num golpe ao Estado de Direito estabelecido
pela Constituição de 1934, outorgou em novembro de 1937 uma
nova Constituição e iniciou um período conhecido como
Estado Novo.
Quais foram as principais bases políticas e sociais que sustentaram
esse Estado Novo?
Resposta: Politicamente, o Estado se conduziu de forma nacionalista
e autoritária.
Socialmente, através de controles policiais e de uma estrutura sindical
pelega, submeteu as massas com o apoio da burguesia industrial.
12. Numa tentativa de resgatar a estabilidade de seu governo, obtendo
o apoio popular, o presidente João Goulart no célebre comício
da Central do Brasil em março de 1964, apresentou um conjunto de
propostas denominadas "Reformas de Base". Essas reformas tiveram
um efeito contrário, pois alarmaram definitivamente os setores conservadores
da sociedade brasileira, levando ao desdobramento do golpe militar.
Em que consistiam essas "Reformas de Base"?
Resposta:
A - Reforma Agrária, democratizando a ocupação do solo
rural;
B - Reforma Urbana, com melhoria das condições de habitação
das massas das periferias das grandes cidades.
C - Reforma Eleitoral, oferecendo condições de voto ao expressivo
número de analfabetos.
D - Reforma Tributária, com a implementação de um sistema
progressivo buscando a equalização social.
13. No período iniciado pelo golpe de 1964, a partir do segundo governo - General Costa e Silva (1967-1969), cresceram no país as manifestações públicas contra a ditadura militar. Essas manifestações eram influenciadas, em parte, pelos movimentos questionadores da ordem vigente, originários na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, tendo o seu auge em maio de 1968. O Governo Costa e Silva, notadamente a sua ala mais conservadora, reagiu violentamente com a decretação do Ato Institucional No 5 - AI5 . De que forma esse Ato descaracterizou definitivamente o Estado de Direito no Brasil?
Resposta: Ao conferir ao Presidente da República poderes sem limites como fechar o Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas Estaduais, suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos e suspender a garantia de habeas-corpus.
14. O modelo econômico implantado pelo regime militar pós-64,
a despeito de alguns avanços notáveis, deixou à sociedade
brasileira graves conseqüências de ordem social e econômica
a serem enfrentadas na segunda metade da década de 80.
Explique esses problemas sociais e econômicos resultantes do regime
militar.
Resposta: Econômicos - Uma estrutura produtiva industrial
com a significativa presença de empresas transnacionais. Uma elevada
dívida externa e um processo inflacionário crescente.
Sociais - A ditadura, após duas décadas de poder, legou à
estrutura social uma característica mais acentuada de exclusão
pela elevação da concentração de renda nas mãos
de um pequeno número de agentes econômicos.
15. A política externa brasileira, a partir do governo do presidente
Costa e Silva (1967-1969), não obstante o anticomunismo da política
interna, se caracterizou pelo não alinhamento automático com
os Estados Unidos, construindo uma linha independente denominada "Pragmatismo
Responsável".
Explique como se caracterizou efetivamente essa política externa
brasileira.
Resposta: Em função de objetivos econômicos concretos como acesso a mercados importadores do excedente brasileiro e fornecedores estratégicos de petróleo, o Brasil restabeleceu relações diplomáticas com a China Comunista, reconheceu o governo socialista de Angola e votou contra Israel na ONU, condenando sua política expansionista no Oriente Médio, contrariando flagrantemente a orientação norte-americana.