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Governo Collor

Primeiro governo civil brasileiro eleito por voto direto desde 1960 e escolhido de acordo com as regras da Constituição de 1988, com plena liberdade partidária e eleição em dois turnos. Tem curta duração: de 15 de março de 1990 a 2 de outubro de 1992, quando renuncia para não sofrer impeachment.

Fernando Collor de Mello nasce no Rio de Janeiro, em 1949, faz carreira política em Alagoas. Seu pai, Arnon Mello, foi governador do estado e seu avô materno, Lindolfo Collor, é um dos articuladores da Revolução de 1930. Prefeito nomeado de Maceió, em 1979, elege-se deputado federal pelo Partido Democrático Social ( PDS ), em 1982. Governador de Alagoas pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro ( PMDB ), em 1986, fica conhecido por sua campanha contra os " marajás ": funcionários públicos que recebem salários milionários. Em 1989, com amplo apoio das forças conservadoras, derrota no segundo turno das eleições Luís Inácio Lula da Silva, nordestino, ex-metalúrgico e destacado líder da esquerda. Entre as promessas de campanha de Fernando Collor estão a moralização da política e o fim da inflação. Para as elites oferece a modernização econômica do país segundo a receita do neoliberalismo, com a redução do papel do Estado na economia.

Plano Collor

No dia seguinte ao da posse, ocorrida em 15 de março de 1990, o presidente lança seu plano de governo que consistia: confisco temporário de depósitos bancários e aplicações financeiras, volta do cruzeiro como moeda, congelamento de preços, reformulação do cálculo da correção monetária, demissão de funcionários, fechamento de orgãos públicos, privatização de estatais.Ao mesmo tempo anuncia providências para abrir a economia nacional à competição externa, facilitando a entrada de mercadorias e capitais estrangeiro no país.

Corrupção

Mas já em 1991 as dificuldades encontradas pelo plano de estabilização, que não acaba com a inflação e aumenta a recessão, começam a minar o governo. Circulam suspeitas de envolvimento de ministros e altos funcionários em uma grande rede de corrupção. Até a primeira-dama, Rosane Collor, é acusada de malversação do dinheiro público e de favorecimento ilícito a seus familiares.

As suspeitas transformam-se em denúncias graças a imprensa. Em 25 de abril de 1992, Pedro Collor, irmão do presidente, dá entrevista à revista Veja. Nela fala sobre o " Esquema PC " de tráfico de influência e irregularidades financeiras, organizado pelo empresário Paulo César Farias, amigo de Fernando Collor e tesoureiro de sua campanha eleitoral. Em 26 de maio, o Congresso Nacional instala uma Comissão Parlamentar de Inquérito ( CPI ). Logo depois, a revista Isto É publica entrevista com Eriberto França motorista da secretária de Fernando Collor, Ana Acioli. Ele confirma que as empresas de PC fazem dépositos regulares nas contas fantasmas movimentadas pela secretária. Essas informações atingem diretamente o presidente.

Impeachment

Depois de um processo de comprovação das acusações e da mobilização da sociedade, o Congresso Nacional vota o impeachment presidencial. Primeiro, o processo é apreciado na Câmara dos Deputados, em 29 de setembro de 1992 e, depois, no Senado, em 29 de dezembro de 1992. Fernando Collor renuncia minutos antes de o Congresso afastá-lo do cargo e suspender seus direitos políticos por oito anos.

Itamar Franco, vice-presidente eleito com Fernando Collor de Mello, assume a Presidência da República em caráter definitivo em 29 de dezembro de 1992, quando este é destituído pelo Congresso Nacional


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