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O Choque da Guerra

A guerra teve uma influência especial no desenvolvimento da Revolução Industrial na Europa, agindo em certos setores da economia europeia como um emoliente e em outros como um poderoso estímulo de progresso. Enquanto nos séculos XVIII e XIX a Inglaterra mantinha as suas guerras longe do solo pátrio, os seus vizinhos do outro lado do Canal eram frequentementes perturbados por presenças militares. Muitas vezes, os resultados nesses países eram totalmente negativos. No fim da Guerra dos Sete Anos, por exemplo, a população da Prússia baixara perto de 330 000 almas. Tinham sido destruídas cidades, aldeias, quintas e oficinas, e em algumas regiões sofria-se de escassez de comida e de forragem. A moeda era falsificada, as finanças públicas estavam em desordem, e a administração civil em perigo de colapso. Na Polônia, a guerra levara à fome e à peste que, juntas, causaram, em 1770, 200 000 mortes.

É, pois, quase um paradoxo que vinte e três anos de guerras revolucionárias e napoleônicas marcassem o início da expansão industrial no continente europeu. Naturalmente que a Europa sofreu. O movimento de grandes exércitos, as pesadas perdas humanas e o maciço desvio de ocupações mais pacíficas dos homens aptos para a guerra tiveram as suas inevitáveis consequências, enquanto o " sistema continental " de Napoleão e o bloqueio britânico arruinavam todos os grandes portos. Certas indústrias, contudo, expandiram-se muito sob a pressão da guerra. A necessidade de vestir, prover e armar muitos milhares de soldados criou uma quase insaciável exigência de certos artigos (exigência muito acentuada pela exclusão da competição britânica ). Um impressionante desenvolvimento foi evidente nas indústrias de algodão de Ghent Paris, Mulhouse e Saxônia e nas indústrias metalúrgicas e de armamento da Bélgica, Alemanha e Suiça. Nasceram grandes firmas de engenharia como as fábricas de John Cockerill, em Liege , e as instalações Escher-Wyss, em Zurique. Além disso, quando Napoleão dominava grande parte da Europa Ocidental e Central, foram enviados peritos franceses para regiões menos desenvolvidas, a fim de levarem a cabo inspeções geográficas, prospecção de minerais e dirigirem minas e fábricas.

O sistema continental de Napoleão pretendia ser não um estímulo para a indústria européia mas uma medida de guerra destinada a destruir a economia inglesa, cortando-lhe o comércio de exportação. Claro que a Inglaterra não ficou parada, por volta de 1816 incorrera num débito nacional de 876 milhões de libras, e houve períodos de sérios distúrbios financeiros, desemprego e angustia social. Mas o progresso industrial da Inglaterra era já tão grande que, apesar da perda de valiosos mercados `a sua porta, os negociantes ingeleses foram capazes de manter as exportações, abrindo novos mercados na América do Sul e em outros lugares. As grandes indústrias da Inglaterra continuaram a se expandir e a sua capacidade de dominar os mares, aguentar os exércitos de Wellington na Guerra Peninsular e financiar a guerra dos seus aliados com substanciais subsídios manteve-se incomparável.

Os efeitos da guerra no desenvolvimento industrial foram particularmente notáveis na Rússia. Conforme Gerschenkron nota, o desenvolvimento econômico da Rússia no século XIX, tornou-se verdadeiramente uma função de exigências militares. Avançava rapidamente onde quer que as necessidades militares apertassem e cessava logo que a pressão bélica abrandava A revelação da fraqueza econônica do tempo de guerra levaria em seguida a uma ação vigorosa: a Guerra da Crimeia representou um estímulo para a emancipação dos escravos e a expansão do sistema ferroviário, e a Guera Turca, de 1876, foi seguida de um grande impulso para expandir as indústrias pesadas da Rússia.

 

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