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A Burguesia e o Terceiro Estado

A terceira ordem fora designada , depois do fim do século XV, pelo nome de Terceiro Estado. Representava a imensa maioria da nação, ou seja, mais de 24 milhões de habitantes, no fim do Velho Regime. O clero e a nobreza se haviam constituído muito antes dele; entretanto, a importância social do Terceiro Estado aumentou rapidamente em consequência da conduta de seus membros na nação e no Estado.Sieyes assinalou bem a importância do Terceiro Estado no fim do Velho Regime, veja o que ele escreveu: " quem ousaria dizer que o Terceiro Estado não possui tudo que necessita para formar uma nação completa? Trata-se de um homem forte e robusto, mas com um dos braços acorrentado. Omitindo-se a ordem privilegiada, a nação não seria qualquer coisa de menos mas qualquer coisa de mais. Assim, que é o Terceiro Estado? Tudo- mas umtodo entravado e oprimido. Que seria ele sem a ordem privilegiada? Tudo, mas um todo livre e florescente. Nada se pode fazer sem ele, tudo se fará infinitamente melhor sem os outros "

Sieyes concluiu: " O Terceiro Estado abarca assim, tudo o que pertence à nação; e tudo o que não é do Terceiro Estado não se pode considerar como sendo nação ".

O Terceiro Estado compreendia as classes populares do campo e das cidades. Posteriormente, sem que seja possível traçar-se um limite nítido entre essas diversas categorias sociais, a pequena e média burguesia, essencialmente artesanais e comerciantes. A essas camadas médias se unem os menbros das profissões liberais: magistrados não-nobiliados, advogados, professores, médicos...Da alta burguesia, destacam-se os representantes da finança e do grande comércio: fazendeiro e banqueiros. Eles levavam vantagem sobre a nobreza pela fortuna, mas tinham a ambição de nela penetrar através da aquisição de títulos nobiliários. O Terceiro Estado que reunia todos os plebeus, formava assim, uma ordem, mas não uma classe.

A Burguesia constituía a classe preponderante do Terceiro Estado; dirigiu a Revolução e dela tirou proveito. Ocupava, por sua riqueza e cultura, o primeiro lugar na sociedade, posição em contradição com a existência oficial das ordens privilegiadas.

No que concerne ao conjunto do Terceiro Estado, a burguesia não constituía naturalmente senão uma minoria, memo incluindo em seus quadros os artífices. A França , no fim do século XVIII, continuava essencialmente agrícola e, quanto a produção industrial, um país de artesãos; o crédito era pouco difundido, havia pouco numerário em circulação. Tais características repercutiram sobre a composição social da burguesia.

A burguesia dos rentiers formava um grupo economicamente passivo, saído da burguesia do comércio ou dos negócios, e vivendo do licro capitalizado.Com o enriquecimento da burguesia no curso do século, o número dos rentiers perou de crescer.Rentier significava viver burguesmente.

A burguesia das profissões liberais formava um grupo bastante diversificado, onde o Terceiro Estado encontrou seus principais intérpretes. Aqui, mais uma vez, a ascendência era muitas vezes marcante, e o capital inicial provinha do lucro.Nessa burguesia se encontravam os médicos que eram raros e não gozavam de grande consideração.Em todo o país podia-se estimar o grupo das profissões liberais entre 10 a 20% dos efetivos da burguesia.As condições aqui também ainda não eram muito diversas, como o eram os honorários ou os vencimentos. Alguns se aproximavam da aristocracia, outros permaneciam em sua condição média.

A pequena burguesia artesanal e lijistas, bem como, abaixo dela, a burguesia dos negócios, vivia do lucro; essas categorias detinham os meios de produção, constituindo dois terços dos efetivos da burguesia. De baixo para cima, nessa classificação, a diferenciação social se fazia pela diminuição do papel do trabalho e pelo aumento do papel do capital.

A grande Burguesia de negócios era uma burguesia ativa, vivendo diretamente da renda: a classe de empresários, no sentido lato do termo, classe dos " chefes de empresas ", segundo Adam Smith. Compreendia também, conforme suas atividades, diversas categorias que diversificavam ainda os fatores geográficos e o passado histórico.

A burguesia das finaças ocupava o primeiro lugar. Os arrendatários gerais do imposto, que todos os seis anos, se associavam para tirar do imposto direto a sua parcela, os banqueiros, os fornecedores do exército, todos constituíam uma verdadeira aristocracia burguesa, muitas vezes ligada, por nascimento, à aristocracia. Seu papel social era imenso; faziam figura de mecenas, protegiam os filósofos. Construíram imensas fortunas graças à percepção de impostos indiretos, aos empréstimos do Estado, ao aparecimento das primeiras sociedades por ações. A dureza dos impostos fixados lhe rendeu impopularidade: em 1793, os arrendatários gerais do imposto foram todos enviados ao cadafalso( estrado erguido em lugar público, para execução de condenados ).

Sem dúvidas a burguesia era diversa, não constituía uma classe homogênea. Muitos burgueses não foram atingidos pela propaganda filosófica. Outros eram hostis à transformação, por piedade ou por tradicionalismo. Se ela desejava mudanças e reformas, não tinha a menor idéia de uma revolução. O Terceiro Estado, todo ele, prestava grande veneração ao rei, um sentimento quase de caráter religioso, o rei representava a idéia nacional e ninguém pensava em derrubar a monarquia. A burguesia pensava menos em destruir a aristocracia do que em se fundir com ela, em particular a alta burguesia. Enfim, a burguesia estava longe de ser democrática.

Desprezo da nobreza pelos plebeus, desprezo da burguesia pelas classes populares. Estes preconceitos de classe explica a cólera e o medo da burguesia, quando, tendo feito apelo às classes populares contra a aristocrcia, ela se viu, no ano II pretender o poder.

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