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Segundo a historiografia tradicional, a Queda da Bastilha marca o início da Revolução Francesa. Não há dúvida de que o movimento popular em Paris tenha grande significado, porém a Revolução deve ser vista como um processo, onde é necessário analisar a situação econômica do país, os interesses de classes envolvidos e os interesses dos demais países europeus.
A BASTILHA
A Bastilha foi construída em 1370 e tornou-se uma prisão
durante o reinado de Carlos VI; no entanto foi durante a Regência
do Cardeal Richelieu, no século XVII que tornou-se uma prisão
para nobres ou letrados, adversários políticos, aqueles que
se opunham ao governo ou mesmo `a religião oficial.
No dia 14 de julho a Bastilha abrigava apenas 7 prisioneiros, no entanto
a multidão invadiu-a tanto por representar um símbolo do absolutismo,
como para tomar as armas que haviam em seu interior.
A REVOLUÇÃO
A importância da Queda da Bastilha reside no fato de que a partir
desse momento a revolução conta com a presença das
massas trabalhadoras, deixando de ser apenas um movimento onde deputados
julgavam que poderiam eliminar o Antigo Regime apenas fazendo novas leis.
A gravidade da crise econômica havia envolvido todo o país
em uma situação caótica: os privilégios dados
à nobreza e ao Alto Clero dilapidaram as finanças do país,
situação ainda mais agravada com a participação
da França na Guerra de Independência dos EUA em ajuda aos colonos
e palas secas, responsáveis por uma crise agrária, que levava
os camponeses miséria extrema e determinava o desabastecimento das
cidades assim como a retração do comércio interno.
O Rei Luís XVI
Na medida em que a nobreza recusou-se a abrir mão de seus privilégios, o rei Luís XVI viu-se forçado a convocar a Assembléia dos Estados Gerais, que reuniria os representantes da Nobreza, do Clero e do Povo ( burgueses). As manobras políticas da realeza tinham por objetivo fazer aprovar nova legislação, que preservaria os privilégios do 1° e 2° estados e ao mesmo tempo sobrecarregariam o 3° estado.
Reunião da Assembléia Nacional
Em17 de junho os representantes do povo se auto proclamam Assembléia
Nacional. Esse fato representa de um lado o grau de organização
e a consciência da burguesia, ancorada pelos ideais do Iluminismo,
e ao mesmo tempo nos dá idéia de qual era a perspectiva de
Revolução para essa classe social, eliminar o Antigo Regime,
através de uma reforma na legislação, forçando
o rei a aceitar o organização de um poder legislativo responsável
pela elaboração das leis.
Enquanto os deputados se reuniam na Assembléia, o rei reunia tropas
na tentativa de evitar o movimento revolucionário, foi nesse contexto
que formou-se a "Milícia de Paris" e no dia seguinte as
ruas e a Bastilha eram do povo.
O movimento revolucionário saia às ruas; percebia-se que somente
com a participação e o apoio popular poderiam haver mudanças
significativas. Apesar de organizada e armada, a camada popular urbana defendia
a manutenção da Assembléia Constituinte e portanto
acreditava que as novas leis poderiam trazer uma mudança significativa.
A rebelião camponesa no interior
Ao contrário, no campo, a situação era de marcada
por grande radicalização caracterizada por invasões
de propriedades senhoriais,,onde muitos nobres foram executados, cartórios
invadidos, onde os títulos de propriedade feudal eram queimados.
Os camponeses não possuíam uma ideologia definida e nem um
projeto acabado, porém o movimento - Grande Medo - refletia a situação
de profunda miséria vivida no campo
Ao fugir do controle da burguesia, o movimento camponês foi responsável
por uma das primeiras mudanças significativas da Revolução:
a 26 de agosto foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem
e do Cidadão, de inspiração iluminista, defendia o
direito a liberdade, à igualdade perante a lei, a inviolabilidade
da propriedade privada e o direito de resistir à opressão.
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