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Apogeu e decadência de Atenas

 

Introdução

A cidade-Estado de Atenas localizava-se na Ática, uma península pouco fértil, o que limitava sua produção agrícola aos vales e encostas mais favoráveis. A existência de um bom porto ( o Pireu ) favoreceu o desenvolvimento da indústria de cerâmica e passou a condicionar a agricultura para a exportação. A economia tornou-se dinâmica e dependente do mercado externo.

A Ática havia sido uma das poucas regiões da Grécia que havia permanecido mais ou menos livre da invasão dos dórios. Talvez por isso, o processo de formação da cidade-Estado tenha ocorrido pacificamente, sem bruscas interrupções. Com o desenvolvimento comercial e as consequentes transformações econômicas, as diferenças sociais se acentuaram. Os mais ricos, proprietários das melhores terras, constituíam a aristocracia em Atenas e eram denominados eupátridas. Os gheorgois eram pequenos prioprietários que frequentemente acabavam perdendo suas terras e se tornando escravos devido à divida assumidas, ou então, acabavam engrossando a camada dos marginalizados da sociedade, os thetas, que mal tinham condições de sobreviver.

Inicialmente os eupátridas detinham todo o poder político. O governo era exercido por um rei ( Basilei ) que era assistido por um conselho da aristocracia, o Areópago. Aos poucos, O Areópago despojou o rei de seus poderes e a aristocracia tomou a liderança política do Estado. Entretanto, o crescente poder político e econômico dos eupátridas acabou fortes tensões sociais que, muitas vezes, acabavam explodindo em revoluções populares. Parte da aristocracia, temerosa de perder seus previlégios, propôs uma reforma na sociedade. Em 621 a.C., Drácon elaborou um código de leis para a cidade; até então não existia leis escritas, apenas orais. Com o código de Drácon, a administração da justiça deixou de ser privilégio dos eupátridas e passou para o Estado. Mas , no plano político-econômico, os eupátridas continuavam monopolizando o poder e o descontentamento dos pobres crescia cada vez mais. Em 594 a.C., Sólon realizou reformas mais profundas. Decretou o fim da escravidão por dívidas, determinou a devolução das terras que haviam sido confiscada pelos eupátridas e estabeleceu o princípio da igualdade de todos perante a lei ( eunomia ).

Depois dessas primeiras reformas, Clistenes, apoiado pelo partido popular, conseguiu implantar uma série de reformas ( 507 a.C.), que acabariam estabelecendo a democracia em Atenas. Concederam-se direitos políticos a todos os cidadãos, os quais tomavam as decisões em uma Assembléia Popular ( Eclésia ) que se reunia mensalmente. Assim, a democracia ateniense era direta, isto é, a leis eram elaboradas diretamente pelos cidadãos, ao contrário das democracias representativas atuais, nas quais o povo escolhe seus representantes para elaborá-las. Entretanto, vale ressaltar que as mulheres, os menores de idade, os estrangeiros ( metecos ) e os escravos não participavam desse processo, uma vez que não eram considerados cidadãos.

Para maior equilibrio do governo, Clístenes dividiu os poderes em Legislativo, Judiciário e Executivo, dando maior ênfase ao Legislativo. Para garantir a sobrevivência da democracia foi estabelecido o ostracismo: se a Eclésia considerasse um indivíduo perigoso ao Estado, ele era exilado por dez anos.

As Guerras Médicas

Nos séculos V e IV., durante o chamado Período Clássico, a Grécia sofreu grandes transformações após as denominadas Guerras Médicas, entre os gregos e persas. Esse período marcaria o apogeu e a decadência das principais cidades-Estado gregas devido às lutas fratricidas entre elas.

A principal causa das Guerras Médicas foi um choque de imperialismo. Os persas, cujo império continuava a crescer, consideravam a região da Jônia ( na costa da Ásia Menor ) um complemento natural para seu império. Por outro lado, os gregos, em seu processo de colonização, expandiam-se por todo mediterrâneo.

Suceram-se várias campanhas. Na primeira ofensiva persa ( 490-479 a.C. ), a colônia grega de Mileto foi arrasada após uma tentativa de revolta contra os persas. Como Atenas havia exilado os revoltosos, o imperiador persa, Dario, invadiu a Grécia, mas, comandados por Milcíades, os atenienses venceram os persas na planície de Maratona ao norte de Atenas.

Voltando dez anos mais tarde, os persas venceram as resistências dos espartanos nas Termópilas e incendiaram Atenas, mas foram vencidos pelos atenienses na batalha naval de Sa-lamina. No ano seguinte ( 479 a.C.), os persas foram derrotados por atenienses e espartanos, e viram-se obrigados a regressar a Ásia.

Os gregos passaram então à ofensiva contra os persas, organizando a Confederação de Delos, liderada por Atenas e composta por diversos Estados gregos. Os aliados contribuíam com navios, equipamentos, soldados ou dinheiro para financiar a guerra. Graças a isso e a sua superioridade naval, os gregos conseguiram várias vitórias levando os persas a reconhecerem sua derrota no Tratado de Calias. Assim, os gregos conquistaram a supremacia no Egeu.

A hegemonia ateniense

Graças ao seu papel de destaque na guerra contra os persas, Atenas passou a exercer a hegemonia em toda Grécia. Os atenienses transformaram a Confederação de Delos em um instrumento do seu imperialismo, subjulgando os antigos aliados e obrigando-os a pagar tributos. Com o tesouro arrecadado ocorreu um grande desenvolvimento em Atenas, particularmente no século V a C., durante o governo de Péricles. Esse período, de maior esplendor ateniense, ficou conhecido como o Século de Ouro ou Século de Péricles.

Foram realizadas grandes construções e a cidade de Atenas foi totalmente remodelada. Desenvolveu-se a cultura grega e o sistema democrático foi aperfeiçoado.

O declínio de Atenas

As cidades de Esparta, Coríntio e Megara aliaram-se contra Atenas, dando início a chamada Guerra do Peloponeso, que durou quase trinta anos e provocou um grande enfraquecimento dos Estados em luta. Atingida pela peste, Atenas tentou uma expedição contra Siracusa, aliada de Corinto, perdendo vários barcos militares e milhares de homens. Finalmente Atenas acabou sendo vencida pelos espartanos em Egos-Postamos.

 


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