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Par alguns países foi mais fácil do que para outros aceitar as mudanças sociais envolvidas na transição de uma economia agrária para uma economia industrial. Uma sociedade com uma classe média bem desenvolvida, divisões de classes flexíveis e operários que podiam aprender novas técnicas e aceitar uma nova espécie de disciplina era própria para se abrir mais rápidamente do que uma sociedade com uma classe média fraca, barreiras rígidas de classes e camponeses altamente conservadores.
Os legados de feudalismo retardaram por isso seriamente a primeira industrialização da Europa. A sobrevivência da escravatura em muitos países ( na França até a Revolução, e na Alemanha, Áustria e Russia até o século XIX ) tornou virtualmente impossível o recrutamento de trabalhadores industriais em quantidade. Os operários estavam sujeitos às regras e privilégios de classes tradicionais e das municipalidades e tinham, geralmente, de obter uma permissão para emigrar de uma província para outra.
Na Inglaterra do século XVIII, contudo, a escravatura tinha já desaparecido e as restrições impostas pelas guildas e pelas autoridades municipais aos industriais pioneiros não eram tão severas como em muitos lugares do Continente. Os empresários tinham pouco a recear da interferência do Governo, particularmente erguiam as suas fábricas fora dos limites municipais. Os trabalhadores podiam mudar-se livremente de um lado para o outro do país. Na Inglaterra, além disso, não havia barreiras rígidas entre a cidade e o campo. Por outro lado, os proprietários de terras estavam preparados para explorar as suas próprias fontes minerais e não objetavam a que membros das suas famílias tomassem parte ativa nas empresas comerciais e fabris. Por outro lado, os industriais bem sucedidos das cidades podiam comprar terras no campo e as suas famílias penetravam nas fileiras da alta sociedade rural. Desenvolveu-se assim uma classe média suficientemente grande e variada para fornecer muitos dos empresários e gerentes das novas fábricas. Ao mesmo tempo, os camponeses e artífices britânicos amoldaram-se bem aos novos tipos de trabalho. Ainda houve, é certo, uma vociferante oposição operária ( Luddite ) às novas máquinas e à dura disciplina das fábricas pioneiras, mas os Luddites formavam apenas uma pequena minoria do operariado. O progresso industrial foi rápido.
Na França, as condições foram menos favoráveis e o progresso industrial lento. Os proprietários rurais estavam profundamente agarrados à terra e fortemente influenciados por laços de família e era difícil seduzi-los para as cidades e fábricas. Diligentes e frugais, investiam fortemente na terra e nos papéis do Governo. Desconfiavam dos bancos e tinham relutância em arriscar o seu dinheiro em ações de caminhos-de-ferro ou de outras empresas. Nas cidades, as classes médias eram poucos menos conservadora, se interessavam no comércio, no artesanato ou na indústria, tendiam a trabalhar em unidades familiares muito fechadas. A empresa familiar era o tipo tradicional da organização industrial; a grande companhia por ações, a exceção. Além disso, um sistema muito centralizado de governo agia sobre a economia. As províncias, habituadas a ver Paris como guia, tinham relutância em iniciar as suas próprias aventuras econômicas.
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